sábado, 3 de novembro de 2012

O custo-benefício do trabalho e de outros luxos da vida…


Palavra de honra que há dias em que me apetece abandonar o mundo encantado dos executivos, fechar as portas a este escritório que sabe tudo sobre mim, vender o carro de serviço... e investir todo o meu dinheiro em material fotográfico e numa Vespa PX 125.


Não fosse eu das pessoas mais determinadas que eu própria conheço, e não soubesse que neste momento a felicidade se resume a isso, apenas por estar cansada... já teria acontecido há muito tempo.


Ainda hoje conto escrever a crónica que explicará este desabafo.





Já foi ontem que ouvi um dos empresários da restauração, presentes e inteiros no parlamento, falar numa homenagem aos grandes homens que querem trabalhar, e não os deixam. Li ainda que pode existir um sist

ema financeiro mundial, em que o dinheiro não seria produzido pelos bancos, ou sequer por referência à dívida, mas livremente pelos estados, na medida do necessário. E constatei, que há malta, com estudos superiores, ballet e desportos de elite, que esgravata todos os dias, para sustentar uma data de gente, mas a si não.
É o que vejo. Nos tempos que correm, se é verdade que subiu o preço de tudo, é verdade também que subiu o preço do trabalho. Eu, e penso que umas poucas multidões também, sinto que pago hoje muito mais para trabalhar, do que paguei outrora. Ao ponto de sustentar e defender a hipótese de que a minha vida seria muito mais fácil e tranquila sem o dispêndio e o desgaste que o trabalho me dá.
Comparo as minhas duas profissões aos meus dois carros.
Um deles foi caro, demorou muito tempo a encontra-lo, a consegui-lo, mas tem a cor que eu gosto. Dá-me prazer conduzi-lo, mas sobretudo, dá-me o conforto e a segurança. E o estatuto (em sentido sociológico). Tem fecho central, consome pouco, e nunca se estragou.
O outro, desde menina que os via passar e os desejava. Sabia que um dia teria um. Foi-me quase oferecido, mas com a sua personalidade determinada, conquistou o seu lugar de tal forma, que já me corrompeu a investir nele dez vezes mais que o seu valor. Ou que a sua rentabilidade. E o único retorno que me trouxe, foi o inegável privilégio de o conduzir. A realização que só conseguimos quando nos sentimos livres.
Se tivesse que escolher entre um deles? Não ponho em hipótese escolher o que quer que seja.
O que não tem solução, não é um problema. Os problemas grandes, ficam pequenos, e desaparecem.
Não vale a pena desistir, a modos de “eu, este ano, não vou trabalhar, porque a minha condição económica não me permite”.
Acredito que uma forte determinação nos leva ao caminho que escolhemos. Acredito que, nestes momentos em que a desmotivação assola na sombra, as nossas sombras, pode parecer mais importante o consumo, e a segurança, do que o prazer de conduzir…mas,
Palavra de honra que há dias em que me apetece abandonar o mundo encantado dos executivos, fechar as portas a este escritório que sabe tudo sobre mim, vender o carro de serviço... e investir todo o meu dinheiro em material fotográfico e numa Vespa PX 125.
JD

Janelas, postigos e alçapões

Dizem que quando a vida nos fecha uma porta, nos abre de imediato uma janela. Ao longo de vários meses tenho visto fecharem-se janelas, postigos e alçapões de toda a espécie... Isso far-me-ia acreditar que num futuro próximo se abriria um portão, de tal forma grandioso que passaríamos todos por ele de mãos dadas... Mas não é isso que vai acontecer. Vamos sim procurar pés de cabra e, em cada frincha que virmos, vamos criar uma oportunidade. Os vidros só se vêm quando estão sujos, quando têm imperfeições...mas os outros também existem.
Jduraes, à tecla livre.