quinta-feira, 9 de maio de 2013

2-0 top of the world



Acordamos de manhã, como à hora que seja, envolvidos no nosso espírito chora-que-logo-bebense, de quem nunca há de passar o muro (*), de quem se lamenta, sem que tenha noção de se o objectivo é não se esforçar, ou não sentir o fracasso, no caso de o esforço não ser suficiente. Sempre dói menos difamar o sistema, injuriar o caracter e a dedicação, ofender a falta de valores e a degradação de gerações, dar á coragem um valor manifestamente diminuto, furtar-nos à pequenez da exposição e considerar criminoso que os outros assim não entendam. Pois é, mas às vezes corre mais de feição.
Tanto que a glória já não é do sistema, o perfeccionismo de quem pensou em tudo antes e a excelência de ter feito a escolha certa, mesmo antes de saber qual seria o resultado, enchem-nos a alma como deuses, exóticos e tecnológicos, de um paganismo tão soberbo, que é difícil de acreditar que os outros, ainda assim, não percebam. Enche-nos o espírito de vozes, aplausos e ecos. O ego, é conduzido sob escolta, por avenidas de prestígio e reconhecimento, caminhando em marcha lenta sobre a longa passadeira da distinção, e acolhido com a solenidade e a franqueza do dever cumprido.
Já não existe esforço que pudesse ter sido feito, rasura ou derrame sobre a página, alba e brilhante, desenhada a muito custo com a perfeição habitual de quem é dotado e exímio na arte de pensar que sabe o que está a fazer. Não existe palavra em contrário que não seja um atentado bárbaro contra a consideração da competência, honrada e banal, de quem não viu outro caminho, senão o que seguiu, pois sabe que não existe.
Do atalho enamorado desse lugar, sai uma voz murmurante que diz: desce cá abaixo. Espera pelo recurso.

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