quinta-feira, 9 de maio de 2013

O motociclo, a importância do grão de bico, e a necessidade de credenciar o utilizador antes de entrar no sistema…



Hoje, e valesse a pena “ir á missa” mais uma vez, como se não houvesse pressões, voltei a percorrer a Avenida da Conduta, como se fosse o Circuito da Boavista, como se o meu carro fosse uma moto, e como se a liberdade fosse o bem mais protegido da minha vida.
Tudo errado.
O que eu deveria ter feito, seria percorrer o circuito da minha vida, como se a liberdade fosse uma avenida, e a conduta fosse o bem mais protegido da minha vida, já que vou na condução efectiva de um carro.
Mas qual é o drama?
Fosse eu mais feliz em certas circunstâncias, apenas me permitiria reparar que a “única” desvantagem de uma moto, para além de não reter a chuva acima dos nossos ombros, é o facto de nos dotar de uma consciência de invencibilidade, de imortalidade e de poder, que extrai de das nossas almas a vontade inata de superar o desafio que reside dentro de nós.
Ser uma sombra que voa, uma miragem do perfeito, é atraente, gera grandes feitos, vaidades, auto-estima, motivação, mas gera também grandes desperdícios de energia, de visão útil, e, não raros os casos, um prejuízo irreparável, no modo de estar e de encarar a realidade.
Nas profissões, como nas emoções, por vezes é necessário encostar a moto, para combater e controlar o excesso de confiança, de excentricidade, de fundamentalismo utópico, que, esse sim, não nos leva a lado nenhum.
Quando circulo de carro, quero ir a algum lado, de moto não. Não quero ir a lado nenhum. Só quero percorrer o caminho.
Disseram-me um dia destes que apesar de alguém não gostar de algum alimento, como o grão de bico, ou qualquer outro, isso não me impede de o cozinhar, e de o servir. A mim não me vai matar, nem importunar, mas faz o outro feliz.
Vou pousar a moto, e percorrer o caminho a pé.
Quanto ao resto, é preciso.
JDuraes, à tecla livre, 2013.03.13.

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