Estamos sempre muito cansados para dar valor àquilo que temos sempre. Procuramos o novo, o indefinido, desfazemos-nos em esforços para sair do lugar em que estamos, encontrar melhor pouso ou melhor vento que nos traga a fortuna e a sorte. Somos incansáveis no perseguir aquilo que achamos que queremos, mas muito fracos em conquistar o que está sempre presente.
Tratamos mal a vida como se lhe fossemos superiores, como se a saúde fosse inesgotável, e vemos as nossas maiores alegrias como entrave à nossa progressão. Só porque estão sempre lá.
Damos importância a mais ao que nos desgasta, e importância a menos ao que nos conforta.
Categorizamos tudo em padrões de pseudo-felicidade socialmente correcta, nos zeros e uns da estabilidade emocional.
Buscamos o inédito, sonhamos o inovador, o sair da zona de conforto e viver o desconhecido na rédea da cepa torta, que havemos de endireitar.
Cansados, apoiamo-nos na mesma cepa. E estava lá.
Rio-me do esforço infinito de buscar a instabilidade de coisa nenhuma, para conseguir afinal aquilo que seria uma medalha de ouro no pódio da estabilidade, em tom de de desejo primeiro e último.
Vou ser emocionalmente correcta, e rir-me de mim mesma também, mas lembro-me que já me haviam falado sobre isto: "cuidado com o que desejas, porque podes conseguir".
Boa noite,
Jduraes à tecla livre 2013.12.11
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