quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
# a outra esquerda
Aos que ouvem. Aos que compreendem sem questionar. Aos que respeitam.
Li um dia que a esfera de liberdade de um ser termina quando começa a de outro. Diria que existe uma relação de proporcionalidade inversa. Há sentimentos que funcionam ao contrário, como que numa relação simbiótica de mais com mais dá mais, porque apenas se somam e se multiplicam. Outros quantos se dividem, numa óptica de partilha sinergética. Escusado seria perder tempo com exemplos, pois os nossos olhares já todos se desviaram para baixo, e todos sabemos do que falamos.
A vida não é tão linear que o tempo possa não ser curvo, que haja só quatro cardinais, ou que a direita e a esquerda, não sejam, em qualquer contexto, as duas metades mais próximas de uma mesma esfera.
Porquê pensá-la assim?
Perdemos o espanto quando deixamos de ter direitos, e passamos a ter responsabilidades. Quando nos davam, e agora nos tiram. Quando queríamos chegar aos 18, e agora não queremos passar dos 30. 8 horas são 8 horas. Esteja o mundo todo errado, mas há sempre alguém com mais paciência. Hoje não encontro ninguém.
Não tivesse o polo norte magnético um desvio de 9 graus em relação ao geográfico, não sobrassem 6 horas em cada ano, não fossem 3/3 uma dízima infinita periódica de 0,(9), em vez da convencional unidade, eu diria que os homens estão errados, que a tecnologia maior está na natureza, e que em vez de as leis servirem os homens, são os homens que servem as leis.
Com uma réstia de liberdade, que não esbarra com ninguém, rio-me com um espanto quebrado, e a malícia singela de quem sente o que pensa, como aos 6 anos, quando me engano no trânsito, e alguém me adverte: " não, a outra esquerda!"
Obrigada.
Jduraes à tecla livre, 2013.09.23
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