O casamento é um contrato.
E muitas vezes pensei o seu significado do ponto de vista jurídico. No sinalagma, baseado nos deveres de respeito, fidelidade, cooperação, coabitação e assistência, não necessariamente por esta ordem, e nos efeitos, na instituição de um único e universal herdeiro. Dei por mim, a comparar regimes de bens e possibilidades, num clausulado que em muito ultrapassa o sim, aceito.
E muitas vezes pensei o seu significado do ponto de vista jurídico. No sinalagma, baseado nos deveres de respeito, fidelidade, cooperação, coabitação e assistência, não necessariamente por esta ordem, e nos efeitos, na instituição de um único e universal herdeiro. Dei por mim, a comparar regimes de bens e possibilidades, num clausulado que em muito ultrapassa o sim, aceito.
Visto assim, parece que o encanto, a paixão, o desejo, viram a luz apagada, sem que se tenha acendido. Parece que as vontades são apenas declarações de vontade.
E são.
O que une as pessoas não é o encanto, esse dissolve-se em rotina. A paixão, há-de ferver em ira, em ironia e raiva, ou em abandono e paz. O desejo, há-de passar em sinal aberto, assim que o corpo deixe de responder. Passará nisto tanto tempo, que somos arrastados pela vida a uma co-dependente amizade empática de projectos comuns. Seremos nisto tão realizados, que estabelecemos verdadeiras alianças, tratados de paz, para a vida. Coabitamos com o inimigo, conhecemos as suas forças e fraquezas, e respeitamos cada espaço da sua existência, e partilhamos cada traço da nossa alma. Vemo-nos num espelho imperfeito, que reflete defeitos. Mas reconhecemos que num espelho limpo não seríamos nós.
O que une as pessoas não é o encanto, esse dissolve-se em rotina. A paixão, há-de ferver em ira, em ironia e raiva, ou em abandono e paz. O desejo, há-de passar em sinal aberto, assim que o corpo deixe de responder. Passará nisto tanto tempo, que somos arrastados pela vida a uma co-dependente amizade empática de projectos comuns. Seremos nisto tão realizados, que estabelecemos verdadeiras alianças, tratados de paz, para a vida. Coabitamos com o inimigo, conhecemos as suas forças e fraquezas, e respeitamos cada espaço da sua existência, e partilhamos cada traço da nossa alma. Vemo-nos num espelho imperfeito, que reflete defeitos. Mas reconhecemos que num espelho limpo não seríamos nós.
O casamento é esta vontade que duas pessoas revelam, em câmara escura, quais sais de prata, de se darem uma à outra. Uma doação bilateral. O compromisso, não vem com a aceitação do outro. Não nos comprometemos com o outro, mas conosco.
Hoje penso que o casamento não é um contrato, são dois contratos, em jeito de negócio consigo mesmo, em que os efeitos se produzem à margem da sua validade jurídica. Ratifica-se tacitamente, ainda que este instituto já se encontre há muito extinto da legislação vigente.
Continuo sem saber se andam os homens a reboque das leis, ou se andam as leis a reboque dos homens...
Jduraes à tecla livre, 2014.01.18.
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